Resposta direta
Não existe um prazo único. A lei fixa prazos para cada etapa: o inquérito tem 10 dias com investigado preso e 30 dias solto, a denúncia 5 ou 15 dias, a resposta à acusação 10 dias e a audiência deve ocorrer em até 60 dias no rito ordinário ou 30 no sumário. Com investigado solto, costuma levar mais.
Por que é tão difícil dar uma resposta exata?
A Constituição garante a todos a "razoável duração do processo" (art. 5º, LXXVIII), mas não diz quantos meses isso significa. O que existe são prazos para cada etapa, espalhados pelo Código de Processo Penal (CPP).
O tempo total depende de três fatores principais:
- se a pessoa está presa ou solta, porque os prazos são menores com prisão;
- qual é o rito do processo, definido pela pena do crime;
- a quantidade de provas, de testemunhas e de pessoas acusadas.
Somando os prazos legais de um processo simples, o resultado seria de poucos meses. Na prática, a maioria leva mais. Os prazos dados ao juiz e aos servidores são chamados de "impróprios": se forem ultrapassados, o processo não é anulado. Já para a defesa, perder um prazo pode ter consequência séria.
Qual o caminho de um processo criminal, etapa por etapa?
Este é o percurso mais comum, com os prazos previstos em lei:
- Inquérito policial. A polícia tem 10 dias para concluir se o investigado está preso, e 30 dias se está solto (art. 10 do CPP). Com investigado solto, esse prazo costuma ser prorrogado várias vezes. Veja mais em inquérito policial.
- Denúncia. Recebido o inquérito, o Ministério Público tem 5 dias para oferecer a denúncia se o réu está preso, e 15 dias se está solto (art. 46).
- Citação e resposta à acusação. Recebida a denúncia, o réu é citado e tem 10 dias para responder por escrito (art. 396). O artigo recebi uma citação criminal explica essa fase.
- Audiência de instrução e julgamento. No rito ordinário, deve ocorrer em até 60 dias (art. 400). No rito sumário, em até 30 dias (art. 531).
- Alegações finais e sentença. Em regra, as alegações são orais e o juiz decide na própria audiência (art. 403). Em casos complexos, as partes têm 5 dias cada para memoriais escritos, e o juiz tem 10 dias para sentenciar (art. 403, § 3º).
- Recursos. Depois da sentença, ainda pode haver apelação ao Tribunal de Justiça e, em alguns casos, recursos ao STJ e ao STF.
O que é rito ordinário, sumário e sumaríssimo?
O rito é o "roteiro" do processo, e ele muda conforme a pena máxima do crime (art. 394 do CPP):
- Ordinário: crimes com pena máxima igual ou superior a 4 anos. É o mais longo.
- Sumário: crimes com pena máxima inferior a 4 anos. Os prazos são menores e o número de testemunhas também.
- Sumaríssimo: infrações de menor potencial ofensivo, julgadas no Juizado Especial Criminal, com pena máxima de até 2 anos. É o mais rápido e tem acordos próprios, como a transação penal.
Os crimes dolosos contra a vida seguem o rito do Tribunal do Júri, que tem duas fases. Para a primeira fase, o CPP fixa o prazo de 90 dias (art. 412). O tempo até o plenário é tratado no artigo sobre o Tribunal do Júri.
O que costuma atrasar o processo?
Na prática, alguns fatores alongam bastante a tramitação:
- dificuldade de localizar o réu ou testemunhas para intimação;
- testemunhas que moram em outra cidade e precisam ser ouvidas por carta precatória;
- perícias demoradas, como laudos de celular, contábeis ou toxicológicos;
- muitos réus no mesmo processo;
- volume de processos na vara;
- redesignação de audiências.
Nenhum desses fatores, sozinho, torna o processo ilegal. Mas, quando o réu está preso, a soma dos atrasos pode configurar constrangimento ilegal.
O que muda quando o réu está preso?
Quando há prisão preventiva, o tempo passa a ser uma questão de liberdade. Além dos prazos menores para polícia e Ministério Público, o art. 316, parágrafo único, do CPP obriga o juiz a revisar, a cada 90 dias, se a prisão ainda é necessária, por decisão fundamentada.
Se o processo fica parado sem justificativa, a defesa pode alegar excesso de prazo e pedir a soltura, inclusive por habeas corpus. O tema está detalhado em excesso de prazo na prisão.
Já a Lei 14.994/2024 deu nova redação ao art. 394-A do CPP: processos de crimes hediondos e de violência contra a mulher têm prioridade de tramitação em todas as instâncias.
E depois da sentença, quanto tempo levam os recursos?
A sentença de primeira instância não é o fim. Quem quer recorrer tem 5 dias para apelar (art. 593 do CPP) e, depois, 8 dias para apresentar as razões do recurso (art. 600). A outra parte tem o mesmo prazo para responder. O passo a passo está em prazo para apelação criminal.
Para o julgamento da apelação no Tribunal de Justiça, a lei não fixa um prazo em dias. O tempo depende da distribuição, da pauta da câmara e da complexidade do caso. Depois disso, ainda pode haver recursos ao STJ e ao STF, cada um com seu próprio ritmo.
Enquanto houver recurso pendente, a condenação não é definitiva. Pelo art. 283 do CPP, fora do flagrante e das prisões cautelares, a prisão por condenação exige trânsito em julgado. Por isso, saber se é possível recorrer em liberdade costuma ser uma das primeiras dúvidas depois da sentença.
O que fazer enquanto o processo anda?
- Mantenha o endereço atualizado no processo. Mudar sem avisar pode fazer o processo seguir sem você (art. 367 do CPP).
- Guarde todas as intimações e anote as datas das audiências.
- Não deixe passar o prazo da resposta à acusação, que é de 10 dias a partir da citação.
- Organize desde cedo documentos e testemunhas que possam ajudar a defesa.
- Pergunte sobre a prescrição quando o caso estiver parado há muito tempo. Veja prazos de prescrição penal.
O tempo real de cada processo depende da vara, do tipo de crime e das provas. Um advogado criminal pode analisar o seu caso e orientar os próximos passos. Conheça a atuação em todas as fases na página de defesa criminal em Sorocaba.
Perguntas frequentes
Processo com réu preso anda mais rápido?
Deve andar. Os prazos para a polícia e o Ministério Público são menores quando há prisão, e o juiz precisa revisar a necessidade da preventiva a cada 90 dias (art. 316, parágrafo único, do CPP). A demora injustificada pode ser questionada por excesso de prazo.
Existe processo que tem prioridade?
Sim. O art. 394-A do CPP, com redação da Lei 14.994/2024, dá prioridade de tramitação em todas as instâncias aos processos de crimes hediondos e de violência contra a mulher.
Se o processo demorar muito, o crime prescreve?
Pode prescrever, dependendo da pena e dos marcos que interrompem a contagem. A prescrição tem regras próprias e precisa ser calculada caso a caso, com base nos arts. 109 a 117 do Código Penal.
Como acompanho o andamento do meu processo?
Pelo número do processo, no site do tribunal. Processos em segredo de justiça só podem ser consultados pelas partes e seus advogados. O advogado também recebe as intimações e pode explicar em que fase o caso está.
Veja também a página Perguntas frequentes.
Fontes oficiais
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O conteúdo deste artigo é meramente informativo e reflete entendimento geral sobre o tema na data de publicação. A aplicação das regras jurídicas pode variar conforme os fatos, documentos e circunstâncias de cada caso. A análise de situações concretas depende da avaliação individualizada de documentos, fatos e circunstâncias específicas.
