Resposta direta
A casa é inviolável: a polícia só entra sem consentimento do morador em flagrante delito, desastre, para prestar socorro ou, durante o dia, com ordem judicial (CF, art. 5º, XI). O mandado deve indicar a casa, o morador, o motivo e a finalidade da busca (art. 243 do CPP), e deve ser mostrado e lido ao morador antes da entrada (art. 245). Sem mandado, a entrada forçada só é lícita com fundadas razões de flagrante dentro da casa (STF, Tema 280).
Se o caso é em Sorocaba ou região, veja a página do advogado de defesa criminal em Sorocaba/SP.
Quando a polícia pode entrar em uma casa
A Constituição diz que a casa é asilo inviolável e que ninguém pode entrar sem consentimento do morador.
Isso vale salvo em caso de flagrante delito ou desastre, para prestar socorro ou, durante o dia, por determinação judicial (art. 5º, XI). Fora dessas situações, a entrada depende da autorização de quem mora ali.
O Código de Processo Penal (CPP) permite a busca domiciliar quando houver fundadas razões para certos fins (art. 240, § 1º).
Entre outros fins, estão prender alguém e apreender coisas obtidas por meio criminoso, armas, instrumentos de crime ou objetos necessários à prova.
Como a Constituição exige determinação judicial para entrar sem consentimento, o mandado de busca domiciliar é expedido por um juiz. Normalmente, isso ocorre a pedido do delegado ou do Ministério Público (art. 242).
O que o mandado de busca deve conter?
O art. 243 do CPP exige que o mandado:
- indique, com a maior precisão possível, a casa onde será feita a diligência e o nome do proprietário ou morador (inciso I);
- mencione o motivo e a finalidade da busca (inciso II);
- seja assinado pela autoridade que o expediu (inciso III);
- traga, no próprio texto, a ordem de prisão, se houver uma (§ 1º).
Documentos com o advogado e busca em escritório de advocacia
Não é permitido apreender documentos em poder do advogado do investigado, salvo quando forem o próprio corpo do crime (§ 2º).
A busca em escritório de advocacia exige mandado específico e pormenorizado, cumprido na presença de representante da OAB (Lei 8.906/1994, art. 7º, § 6º).
Como a busca deve ser cumprida
As regras do art. 245 do CPP mostram o passo a passo esperado:
- a busca é feita de dia, salvo se o morador consentir que seja à noite (caput); cumprir mandado de busca domiciliar depois das 21h ou antes das 5h é crime de abuso de autoridade (Lei 13.869/2019, art. 22, § 1º, III);
- antes de entrar, os policiais mostram e leem o mandado ao morador e pedem que ele abra a porta (caput);
- se o morador se recusar, a porta pode ser arrombada, e a força pode ser usada contra coisas dentro da casa para encontrar o que se procura (§§ 2º e 3º);
- se não houver ninguém em casa, um vizinho deve ser chamado para acompanhar, se houver e estiver presente (§ 4º);
- a busca deve incomodar os moradores apenas no indispensável (art. 248), e a revista pessoal em mulher é feita por outra mulher, se isso não atrasar ou prejudicar a diligência (art. 249);
- ao final, os policiais lavram auto circunstanciado, assinado por duas testemunhas presenciais (§ 7º);
- se nada for encontrado, o morador pode pedir que os motivos da diligência lhe sejam informados (art. 247).
Entrada sem mandado: flagrante e o Tema 280 do STF
Sem mandado, a polícia só pode entrar à força em situação de flagrante (CF, art. 5º, XI).
Nos crimes permanentes, como guardar drogas ou armas, o flagrante dura enquanto a situação continuar (art. 303 do CPP). Isso não autoriza entrar em qualquer casa por suspeita genérica.
No Tema 280 da repercussão geral, o STF fixou uma regra para a entrada forçada em domicílio sem mandado, mesmo à noite.
Ela só é lícita quando amparada em fundadas razões, justificadas depois, que indiquem flagrante dentro da casa. Sem essas razões, os atos são nulos, e os agentes podem responder disciplinar, civil e penalmente.
A Lei 13.869/2019 também define como crime entrar em imóvel alheio sem determinação judicial ou fora das condições legais (art. 22).
A exceção é para prestar socorro ou quando houver fundados indícios de flagrante ou desastre (§ 2º).
O que fazer durante e depois da busca?
Durante a diligência, não resista fisicamente e não tente esconder objetos. Isso pode gerar novas acusações. Algumas atitudes protegem a defesa:
- peça para ver e ouvir a leitura do mandado e confira o endereço e o nome do morador;
- acompanhe a busca e observe o que é apreendido e de qual cômodo;
- anote os nomes dos policiais, o horário de início e fim e os nomes das testemunhas do auto;
- se alguém for preso, lembre que o preso tem direito de permanecer calado e de ser assistido por advogado (CF, art. 5º, LXIII);
- depois, peça ao advogado que examine o auto de busca e o inquérito, o que ele pode fazer mesmo sem procuração (Lei 8.906/1994, art. 7º, XIV).
Busca e apreensão criminal não é busca e apreensão de veículo
Este texto trata da busca e apreensão criminal, ordenada por juiz dentro de uma investigação ou processo penal. A busca e apreensão de veículo por parcelas atrasadas de financiamento é outra coisa.
É uma ação cível e bancária, proposta pelo credor contra o devedor. Cabe quando há mora ou inadimplemento no contrato de alienação fiduciária (Decreto-Lei 911/1969, art. 3º).
O escritório atua somente em Direito Criminal e não atende ações de busca e apreensão de veículo. Nesses casos, procure um advogado que atue em Direito Civil ou Bancário.
Quando buscar orientação jurídica
- quando a polícia cumpriu mandado de busca na sua casa ou empresa e apreendeu celulares, computadores ou documentos;
- quando a entrada aconteceu sem mandado e a polícia alegou flagrante;
- quando o mandado indicava outro endereço ou outra pessoa;
- quando a busca ocorreu à noite ou sem testemunhas no auto;
- quando você recebeu intimação para depor depois da busca e quer saber como agir em Sorocaba ou região.
Os canais oficiais do escritório estão na página de Contato.
Perguntas frequentes
A polícia pode cumprir mandado de busca à noite?
Não, salvo se o morador consentir. A Constituição autoriza a entrada por ordem judicial apenas durante o dia (art. 5º, XI), e o CPP repete a regra (art. 245). Cumprir mandado de busca domiciliar depois das 21h ou antes das 5h é crime de abuso de autoridade (Lei 13.869/2019, art. 22, § 1º, III). O flagrante é exceção e permite a entrada a qualquer hora.
O delegado pode expedir mandado de busca domiciliar?
O art. 241 do CPP, anterior à Constituição de 1988, fala em autoridade policial. A Constituição, porém, só admite a entrada sem consentimento, fora do flagrante, desastre e socorro, por determinação judicial (art. 5º, XI). Por isso, o mandado de busca em casa precisa ser expedido por juiz.
Posso recusar a entrada se a polícia não tiver mandado?
A entrada depende do seu consentimento, salvo flagrante, desastre ou socorro (CF, art. 5º, XI). Mesmo assim, não resista fisicamente. Se a polícia entrar alegando flagrante, a legalidade será analisada depois: pelo Tema 280 do STF, a entrada só é lícita com fundadas razões, justificadas por escrito, de que havia flagrante na casa.
O que acontece com objetos apreendidos que não têm relação com o crime?
O CPP autoriza apreender o que interessa à prova ou foi obtido por meio criminoso (art. 240, § 1º). Tudo deve constar do auto circunstanciado (art. 245, § 7º). O pedido de devolução de bens que não interessam ao processo é feito no próprio procedimento, com análise do caso concreto.
O escritório atua em busca e apreensão de carro financiado?
Não. Essa ação é cível e bancária (Decreto-Lei 911/1969). O escritório atua somente em Direito Criminal, como buscas feitas pela polícia em investigações, prisões e processos penais.
Veja também a página Perguntas frequentes.
Fontes oficiais
- Constituição Federal (texto compilado), Planalto
- Código de Processo Penal (texto compilado), Planalto
- Lei de Abuso de Autoridade (Lei 13.869/2019), Planalto
- Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994), Planalto
- Decreto-Lei 911/1969 (alienação fiduciária), Planalto
- STF: Tema 280 da repercussão geral (entrada em domicílio sem mandado)
Conteúdos relacionados
Fui preso em flagrante: o que acontece e quais são meus direitos?
Inquérito PolicialInquérito policial: informações gerais sobre finalidade e procedimento
Inquérito PolicialIntimação policial: o que é e como proceder
Lei de DrogasTráfico e porte para consumo: distinções na Lei 11.343/2006
Fale com o escritório
Entre em contato. As informações são tratadas com sigilo profissional.
O conteúdo deste artigo é meramente informativo e reflete entendimento geral sobre o tema na data de publicação. A aplicação das regras jurídicas pode variar conforme os fatos, documentos e circunstâncias de cada caso. A análise de situações concretas depende da avaliação individualizada de documentos, fatos e circunstâncias específicas.
