Resposta direta
A ameaça tem pena de detenção de 1 a 6 meses, ou multa, e depende de representação da vítima, salvo quando cometida contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, caso em que a pena é dobrada e a ação é incondicionada (art. 147, §§ 1º e 2º, do CP, pela Lei 14.994/2024). A lesão corporal leve tem pena de detenção de 3 meses a 1 ano (art. 129), mas no contexto doméstico sobe para reclusão de 2 a 5 anos (§ 9º). Contra a mulher, em violência doméstica, a ação por lesão é sempre pública incondicionada (Súmula 542 do STJ).
Se o caso é em Sorocaba ou região, veja a página do advogado de defesa criminal em Sorocaba/SP.
Ameaça (art. 147 do Código Penal)
Comete ameaça quem ameaça alguém, por palavra, escrito, gesto ou qualquer outro meio simbólico, de causar mal injusto e grave. A pena é de detenção de 1 a 6 meses, ou multa.
Mensagens de texto, áudios e publicações também podem configurar o crime.
A Lei 14.994, de 9 de outubro de 2024, incluiu dois parágrafos.
Se o crime for cometido contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, nos termos do art. 121-A, § 1º, a pena é aplicada em dobro (§ 1º).
Nos demais casos, o processo só começa com representação da vítima; na hipótese do § 1º, não depende dela (§ 2º).
A Lei 15.358/2026 criou o art. 147-C. Por ele, a ameaça feita no contexto da atuação de organização criminosa ultraviolenta, grupo paramilitar ou milícia privada tem pena de reclusão de 1 a 3 anos.
Essa lei é objeto das ADIs 7.952, 7.956, 7.957 e 7.958 no STF, ainda pendentes de julgamento.
Lesão corporal (art. 129): as faixas de pena em vigor
A pena depende do resultado e do contexto. As faixas atuais do Código Penal são:
- lesão leve (caput): detenção de 3 meses a 1 ano;
- lesão grave (§ 1º), como incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias ou perigo de vida: reclusão de 1 a 5 anos;
- lesão gravíssima (§ 2º), como incapacidade permanente para o trabalho ou deformidade permanente: reclusão de 2 a 8 anos;
- lesão seguida de morte (§ 3º): reclusão de 4 a 12 anos;
- lesão culposa (§ 6º): detenção de 2 meses a 1 ano;
- lesão em contexto doméstico (§ 9º): reclusão de 2 a 5 anos;
- lesão contra a mulher por razões da condição do sexo feminino (§ 13): reclusão de 2 a 5 anos;
- nos casos dos §§ 1º a 3º em contexto doméstico, aumento de 1/3 (§ 10), e no § 9º contra pessoa com deficiência, aumento de 1/3 (§ 11).
Violência doméstica no art. 129, § 9º
O § 9º alcança a lesão contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro e pessoa com quem o autor conviva ou tenha convivido.
Desde a Lei 15.455, de 1º de julho de 2026 (publicada em 2/7/2026), alcança também pessoa com relação de trabalho doméstico.
Também se aplica quando o agente se prevalece das relações domésticas, de trabalho doméstico, de coabitação ou de hospitalidade.
O § 9º protege homens e mulheres; a Lei Maria da Penha, porém, trata da violência baseada no gênero contra a mulher.
A pena de reclusão de 2 a 5 anos dos §§ 9º e 13 foi fixada pela Lei 14.994/2024, publicada em 10/10/2024. Antes, o § 9º previa detenção de 3 meses a 3 anos.
Como é lei mais grave, a nova pena só vale para fatos posteriores à sua vigência (CF, art. 5º, XL).
Quando o processo depende da representação da vítima?
Representação é a manifestação da vítima autorizando a investigação e o processo. Sem ela, nos crimes que a exigem, o Ministério Público não pode oferecer denúncia.
A ação por lesões corporais leves e lesões culposas depende de representação (art. 88 da Lei 9.099/1995), assim como a ameaça fora da hipótese do art. 147, § 1º.
O prazo, em regra, é de 6 meses contados do dia em que a vítima soube quem é o autor (art. 103 do CP).
Nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica e familiar contra a mulher, o prazo foi ampliado para 12 meses. A mudança veio da Lei 15.438, de 18 de junho de 2026 (publicada em 19/6/2026).
A previsão está no art. 103, parágrafo único, do CP, e no art. 16-A da Lei 11.340/2006.
Por ser regra que afeta a extinção da punibilidade, sua aplicação a fatos anteriores a 19/6/2026 deve ser analisada caso a caso.
Na violência doméstica contra a mulher, a retratação da representação só vale em audiência específica, antes do recebimento da denúncia, ouvido o Ministério Público (art. 16 da Lei 11.340/2006).
Com a Lei 15.380, de 6 de abril de 2026, essa audiência só é designada se a ofendida manifestar expressamente o desejo de se retratar.
O que muda na violência doméstica contra a mulher?
Alguns benefícios comuns nos crimes de menor gravidade não se aplicam quando há violência doméstica e familiar contra a mulher:
- a lesão corporal é de ação pública incondicionada, seja leve, grave ou gravíssima (Súmula 542 do STJ), e o processo segue mesmo que a vítima não queira;
- não se aplica a Lei 9.099/1995, qualquer que seja a pena (art. 41 da Lei 11.340/2006), o que afasta a transação penal e a suspensão condicional do processo;
- são vedadas penas de cesta básica, prestação pecuniária e substituição que implique só multa (art. 17);
- o juiz pode impor medidas protetivas, cujo descumprimento é crime com pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa (art. 24-A).
Fora da violência doméstica: o Juizado Especial
Quando não há violência doméstica contra a mulher, a ameaça e a lesão corporal leve são infrações de menor potencial ofensivo.
Isso ocorre porque a pena máxima não passa de 2 anos (art. 61 da Lei 9.099/1995).
Nesses casos, o procedimento corre no Juizado Especial Criminal e admite composição dos danos e transação penal, conforme os requisitos da lei.
Em Sorocaba e região, como em qualquer comarca, a análise dos requisitos depende dos antecedentes e das circunstâncias do fato.
Quando buscar orientação jurídica
- ao ser intimado para depor na delegacia sobre ameaça ou agressão;
- quando receber citação ou convite para audiência no Juizado Especial Criminal;
- quando houver medida protetiva ligada aos mesmos fatos;
- quando houver dúvida sobre prazo de representação, retratação ou sobre qual pena se aplica à data do fato;
- quando o laudo de exame de corpo de delito classificar a lesão como grave ou gravíssima, o que muda a pena e o procedimento.
Os canais oficiais do escritório estão na página de Contato.
Perguntas frequentes
Ameaça por mensagem de WhatsApp é crime?
Pode ser. O art. 147 do CP fala em ameaça por palavra, escrito, gesto ou qualquer outro meio simbólico, de causar mal injusto e grave. A análise considera o conteúdo, o contexto e se a ameaça foi séria o bastante para intimidar. A pena é de detenção de 1 a 6 meses, ou multa, dobrada no caso do § 1º.
A vítima pode retirar a queixa de lesão corporal?
Na lesão leve fora da violência doméstica, a ação depende de representação (art. 88 da Lei 9.099/1995), e a retratação é possível antes da denúncia. Na lesão contra a mulher em violência doméstica, a ação é pública incondicionada (Súmula 542 do STJ): a vontade da vítima não encerra o processo.
Qual a pena da lesão corporal em violência doméstica?
Reclusão de 2 a 5 anos (art. 129, § 9º, do CP, com pena fixada pela Lei 14.994/2024). Se a lesão for grave, gravíssima ou seguida de morte nesse contexto, a pena do respectivo parágrafo aumenta de 1/3 (§ 10).
Quanto tempo a vítima tem para representar?
Em regra, 6 meses a partir do dia em que soube quem é o autor (art. 103 do CP). Nos crimes de violência doméstica e familiar contra a mulher, o prazo passou a ser de 12 meses com a Lei 15.438/2026 (art. 16-A da Lei 11.340/2006). A regra aplicável depende da data do fato.
Ameaça e lesão no mesmo episódio geram dois crimes?
Depende do caso. Quando a ameaça é apenas o meio ou a preparação da agressão, costuma ser considerada absorvida pela lesão. Quando são condutas independentes, em momentos distintos, pode haver responsabilização por ambas. A resposta depende da prova e da narrativa da denúncia.
Veja também a página Perguntas frequentes.
Fontes oficiais
- Código Penal (texto compilado), Planalto
- Lei 11.340/2006, Lei Maria da Penha (texto compilado), Planalto
- Lei 9.099/1995, Juizados Especiais, Planalto
- Lei 14.994, de 9 de outubro de 2024, Planalto
- Lei 15.455, de 1º de julho de 2026, Planalto
- Lei 15.438, de 18 de junho de 2026, Planalto
- STJ: Súmula 542 (notícia oficial de aprovação)
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O conteúdo deste artigo é meramente informativo e reflete entendimento geral sobre o tema na data de publicação. A aplicação das regras jurídicas pode variar conforme os fatos, documentos e circunstâncias de cada caso. A análise de situações concretas depende da avaliação individualizada de documentos, fatos e circunstâncias específicas.
